Início Confeccionista WALTER ORTHMANN: UM HOMEM ÚNICO

WALTER ORTHMANN: UM HOMEM ÚNICO

WALTER ORTHMANN: UM HOMEM ÚNICO

Aos 96 anos, catarinense bate o recorde mundial da mais longa carreira em uma
mesma empresa, título que em breve deve ser homologado pelo Guinness World
Records. Seus 80 anos de trabalho na tecelagem Brusquense RenauxView, já lhe
renderam três títulos nacionais reconhecidos pelo instituto RankBrasil — um
equivalente nacional do Guinness. Há dez anos, com direito à cobertura no
Fantástico, Walter Orthmann conquistou o recorde brasileiro ao completar 70 anos
de trabalho na mesma empresa. Este título foi renovado em 2013, aos 75, e agora
elevado à categoria internacional aos 80.
Desde de começou a trabalhar, em 17 de janeiro de 1938, os objetivos sinceros que
motivam sua vida não mudaram: primeiro ajudar o sustento da família, depois o
crescimento da organização que possibilita atingir o primeiro objetivo. Nos dois quesitos,
em todas as extensões familiares, em todos as fases da empresa, foi instrumental e
exitoso.
Aos 15 anos, Walter Orthmann foi levado à vida profissional por sua mãe. Na época,
bastava falar alemão para ser contratado em alguma empresa de Brusque. Mas foi
também nesta língua que veio a primeira oposição à idéia: o diretor da escola Alemã via
no jovem esguio e desengonçado uma mente aguçada e promissora, merecedora de
oportunidades que reforçassem o acúmulo de conhecimentos para os anos vindouros.
Para ajudar o sustento da família e garantir mais uma ano de escola, o professor foi
germanicamente salomônico: estudar pela manhã, cuidar, remuneradamente, do jardim
da escola à tarde.
No ano seguinte, em 17 de janeiro de 1938, Walter assina sua primeira e única ficha de
admissão em uma empresa. À época, a empresa fundada 13 anos mais cedo chama-se
Indústrias Renaux S.A. e sua ficha foi a de número 130 — o sistema de numeração
continua corrido, quem ingressa hoje na RenauxView vai assinar uma ficha com um
número superior a 10.366.
Com o reforço escolar e raciocínio rápido, não demorou muito para Walter ganhar
melhores posições e conquistar a confiança de seus líderes. Como office-boy era
encarregado de levar e buscar, de bicicleta, as correspondências no correio e, uma vez
por mês, coletar o salário de todos os funcionários no banco. No departamento comercial, sua perícia em vender foi logo identificada e “exportada” para grandes centros
compradores da época: Rio de Janeiro e São Paulo. Com os bons resultados, as viagens
ficaram mais frequentes, os destinos mais longínquos e o lento percurso de ônibus
trocado por rotas aéreas.
Sua longa carreira na área comercial não só o tornou testemunha viva dos avanços da
aviação comercial brasileira como talvez o habilite a requerer o registro de outros feitos:
tendo voado em diversas aeronaves — desde Curtiss C-46, Douglas DC-3, DC-6, L
Super G, Avro HS 148, Nihon YS-11 (os famosos Samurais), Electra II, até modelos mais
antigos aos mais modernos da Boeing, Airbus e Embraer — Walter Orthmann acumulou
mais de 7,5 mil horas de voo desde o final da década de 1950.
É possível que Walter venha um dia também a reclamar o título de carreira com o maior
número de colegas. Entre as mais de 10.000 pessoas que assinaram uma ficha como a
sua, estão todos os administradores, líderes e gerentes que a empresa já teve em seus
93 anos de existência — mais um título?
Outras possíveis categorias que podem lhe conferir mais títulos tem a ver com o
pagamento de seus salários: foram mais de 1.000! Sua remuneração foi paga em nove
denominações diferentes: réis, cruzeiro, cruzeiro novo, cruzeiro (novamente), cruzado,
cruzado novo, cruzeiro (pela terceira vez), cruzeiro real e, finalmente, real. O corte de
zeros em algumas destas transições, por conta da inflação, talvez possa render mais um
título a este recordista: histórico de remuneração com a maior perda de zeros — 18 ao
todo!
Para quebrar tantas marcas, Walter Orthmann cuida da alimentação e mantem uma rotina de exercícios. Para ele não adiante preocupar-se com o futuro, “temos que cuidar e
melhorar o presente, é aqui que estamos”. Quando questionado sobre o que o título
muda em sua vida responde: “Completar 80 anos de trabalho me deixam tão
entusiasmado quanto no meu primeiro dia de trabalho. Mas minha rotina não muda. Vou
continuar a viver como sempre fiz. Amanhã é mais um dia. Irei acordar, levantar, trabalhar e viver a vida. Simples assim. E tem dado certo pelos últimos 95 anos.”
O que não se encontra lugar neste rico e longo histórico é a quebra da palavra ou de seu
amor pelo trabalho. Este último, fica manifesto na frase que já virou seu bordão e que
profere sempre que percebe que a situação está encaminhada ou o assunto resolvido:
“Então vamos trabalhar!”

 

Fonte — RenauxView.

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