Início Confeccionista Confecção 4.0 – Revolução na Indústria.

Confecção 4.0 – Revolução na Indústria.

Confecção  4.0

Revolução na indústria

SENAI Cetiqt desenvolve projeto piloto da confecção que produz peças customizadas pelo cliente com base em realidade virtual, automação de processos e conectividade entre toda a toda a cadeia de produção

Representantes de empresas e de entidades do setor têxtil e de confecção que participaram da 33ª IAF World Fashion Convention em outubro, no Rio de Janeiro, puderam ver de perto o funcionamento do projeto piloto que integra consumidor, varejo, confecção e seus fornecedores, e que, como resultado, produz e entrega peças de vestuário sob medida e customizadas pelo cliente em questão de minutos. E tudo isso praticamente sem a necessidade de mão de obra. Desenvolvida pelo Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil do SENAI CETIQT, a planta da “confecção do futuro” foi lançada oficialmente em 19 de outubro e está disponível para demonstração na unidade Riachuelo. “Ainda não há nada parecido no mundo todo. Somos os pioneiros”, orgulha-se Robson Marcus Wanka, gerente de Educação  e responsável pela materialização do projeto.

O modelo concebido pelo SENAI CETIQT reúne todos os elementos que conceituam a indústria 4.0 e vão promover a 4ª Revolução Industrial: a conectividade entre consumidor, varejo, confecção e demais elos da cadeia de produção e a customização do produto para cada cliente. Isso será possível por meio da integração entre os espaços virtual e físico, envolvendo pessoas, produtos, máquinas, softwares, sistemas produtivos e a cadeia de fornecimento. Ainda que, na prática, a fábrica do futuro demande investimentos em modernos equipamentos, Wanka assegura que os ganhos com redução de mão de obra, do retrabalho e dos estoques, acrescidos do aumento da produtividade e da produção podem trazer um rápido retorno do valor investido, sem a necessidade de jogar o preço do produto final para o alto. “O objetivo é trazer maior agilidade às empresas brasileiras e capacitá-las para enfrentar melhor, num futuro próximo a concorrência no mercado internacional”, resume.

Como funciona, na prática

No modelo demonstrativo do SENAI/CETIQT são oferecidas ao cliente calças nas versões legging, corsário, capri e short, confeccionadas a partir de tecidos com 80% de poliéster e 20% de elestano e antibacterianos. “São peças com indicação para uso tanto na academia como no trabalho”, esclarece o gerente.

O consumidor se posiciona em frente a um “espelho virtual” e seleciona a peça e a cor de seu interesse, apenas apontando em direção ao visor. Pode ainda selecionar estampas e locais para a sua colocação. Ali mesmo tem suas medidas corporais captadas por meio de uma câmera. “Se o cliente autorizar, um robô tocará nas coxas dele e sensores medirão o tônus muscular, a fim de fazer o ajuste perfeito no tamanho da peça”, completa Wanka. Feito isso, o cliente dá o Ok da compra tocando no espelho. “O consumidor é seu próprio designer”, destaca o gerente.” A decisão se viabiliza por meio de inteligência artificial, num sistema de realidade virtual”, explica.

Escolhidos o modelo, as cores e estampas, os dados sobre a peça são enviados remotamente para uma impressora de papel sublimático, que imprime tudo isso. O papel segue numa esteira para uma calandra, a fim de que seja transferida a tinta do papel para o tecido (o modelo do Cetiqt utiliza apenas de tecido branco pronto para tingir, o que reduz o uso de insumos). De lá, o tecido vai em outra esteira para o corte, também automatizado. Até aqui, todo o processo ocorre sem intervenção humana. A costura é feita pelo modo convencional, mas a peça cortada chega com um QRCode, um código de barras bimensional para ser escaneado  pela costureira, que exibe a sequência de montagem por meio de realidade aumentada. Uma vez costurada, a peça segue para uma máquina que a dobra e ensaca. Um robô pega o pacote e o guarda no estoque intermediário. Por e-mail, o consumidor recebe uma foto do produto com o respectivo QR Code. O produto é entregue ao cliente no balcão pelo robô. “O processo não leva mais que 25 minutos”, comemora o gerente do SENAI CETIQT.

Os fornecedores também estão conectados. Quando, por exemplo, o tecido estiver prestes a acabar, a cadeia de fornecimento é acionada automaticamente para providenciar o abastecimento. “O futuro é a Indústria 4.0, em que o consumidor tem participação ativa no processo de produção e a conectividade é o grande diferencial. Será uma nova etapa para a indústria têxtil e de confecção, e também para o consumidor, de customização e democratização da moda, dentro de um modelo de confecção e consumo bem diferente do que existe hoje”, finaliza.

MBI em Confecção 4.0

Além da planta piloto, o SENAI CETIQT, por meio de sua Faculdade, está lançando, para início em março de 2018, o Master In Business Innovation (MBI) em Confecção 4.0. Trata-se de um curso de pós-graduação à distância destinado a diretores, gerentes, supervisores industriais e/ou interessados, que tem como objetivo formar profissionais capazes de elaborar projetos de implantação nas empresas e indústrias do setor confecção, vestuário e têxtil. A carga horária total é de 360 horas, das quais 72 horas presenciais. “No decorrer do Curso teremos seis encontros presenciais no Rio de Janeiro, um por mês, a partir de março de 2018”, esclarece  Robson Marcus Wanka, gerente de Educação  do SENAI CETIQT. Os encontros vão ocorrer às sextas (das 18h às 22h) e aos sábados (das 9h às 18h). Os alunos serão hospedados em um Hotel (com todas as refeições inclusas).

O curso todo terá custo de R$ 33 mil, que podem ser divididos em 24 parcelas de R$ 1.375,00. As inscrições online vão até 18/02/2018. Ao término, caso haja ao menos 10 alunos interessados, será programada uma viagem para a Alemanha, onde a Indústria 4.0 já está avançada.

 

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