Luxo para muitos – Carlos Ferreirinha
Crescimento econômico do Brasil e da classe A amplia perspectivas de consumo de artigos de luxo no país
Há alguns anos, o Brasil assiste à chegada e à expansão de lojas de grifes famosas do vestuário internacional. Só em março, desembarcaram no País a DVF, butique da estilista Diane Von Furstenberg, que já vestiu a atriz Kate Hudson, a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, e a cantora Madonna, e a Burberry, que fechou as portas em São Paulo em dezembro de 2008 e recém-inaugurou uma unidade em Brasília. Isso sem falar nas que estrearam recentemente em terras brasileiras, como Ermenegildo Zegna, Marc Jacobs e a aclamada Hèrmes, entre outras.
O interesse dessas marcas tem um motivo bastante óbvio: a existência de público consumidor do mercado de luxo. Com a saturação dos mercados de origem, os olhares de voltaram para os blocos emergentes como China, Leste Europeu e América Latina. E, no continente latino-americano, o Brasil tornou-se a menina dos olhos dos investidores.
Posicionar-se entre os dez principais mercados consumidores de artigos de luxo é apenas questão de tempo para o Brasil. “Potencial para isso há”, garante Carlos Ferreirinha, diretor-presidente da MCF Consultoria e Conhecimento, que há quatro anos, em parceria com a GfK, uma das maiores empresas de pesquisa do mundo, realiza o estudo O Mercado do Luxo no Brasil.
Embora a classe C tenha se tornado o centro das atenções da indústria e do comércio, em função do grande numero de pessoas que subiram a esse patamar nos últimos anos, a classe A não fica atrás. O número de famílias que compõem o segmento dos chamados ricos no Brasil desde 2006 se mantém ao redor de 1 milhão – e continua crescendo. Posicionado no topo da pirâmide, esse seleto grupo tem rendimento domiciliar mensal acima de 20 salários mínimos e perfil diversificado: reúne profissionais liberais, empreendedores, quatrocentões e novos ricos, potenciais consumidores de artigos de luxo. Segundo dados divulgados recentemente pelo IBGE, a renda dessa fatia da população aumentou 29% na última década.
Os jovens entre 26 e 35 anos lideram o consumo desse tipo de produto, tendo à frente as mulheres, com mais de 60% de participação, e um gasto médio de R$ 3.400 por compra, segundo o último estudo da MCF/GfK, relativo a 2008. Naquele ano, o Estado de São Paulo ainda liderava a demanda, mas aos poucos outras regiões como o Distrito Federal e o Nordeste vão aumentando a sua participação. Por isso, quem atua ou deseja atuar nesse sofisticado mercado deve ficar atento a essa perspectiva e preparar-se para se sobressair frente à concorrência.
Apesar dos efeitos da crise mundial que derrubou de 17% para 12% o ritmo de crescimento anual do consumo de produtos de luxo nos últimos dois anos, Carlos Ferreirinha, que foi presidente da Louis Vuitton Brasil e embaixador de marketing internacional da Eletronic Data Systems – EDS (Dallas/Texas), afirma que os consumidores estão mais ávidos por produtos e serviços que enalteçam experiências: “e isso é exatamente o que a atividade do luxo entrega.” Saiba nesta entrevista como satisfazê-los.
O Brasil é um mercado emergente para o negócio de luxo, com grandes possibilidades de expansão. Qual o desempenho desse mercado e o que justifica esses resultados?
Ferreirinha – O Brasil faz parte de um cenário global. A atividade voltada ao luxo tem mantido um ritmo de crescimento em todos os lugares do mundo e o País se insere nesse contexto. Nos últimos dois anos, o ritmo de crescimento desse mercado aqui foi de 12%, em função da crise mundial e nacional. Mas os consumidores estão mais ávidos por produtos e serviços que enalteçam experiências, exatamente o que a atividade do luxo entrega.
Na sua avaliação, quais as perspectivas para o segmento nos próximos anos no País?
Ferreirinha - Devemos recuperar o ritmo de crescimento de 17% registrado nos anos anteriores à crise.
Diante de outros países emergentes, como se posiciona o Brasil na evolução do consumo de luxo?
Ferreirinha – Ainda não está entre os dez principais mercados, mas tem potencial para tal.
Como o brasileiro encara e se relaciona com as marcas de luxo?
Ferreirinha – Com prazer, vontade e impulso de consumo.
Além da região Sudeste, onde se concentra o consumo de artigos de luxo, que outras regiões são promissoras?
Ferreirinha – O Centro-Oeste e o Norte/Nordeste.
O que o cliente de grifes de luxo prioriza nos artigos de vestuário?
Ferreirinha – Excelência, originalidade, matéria-prima, detalhes e marca.
Que atributos uma marca de vestuário precisa ter para ingressar no seleto time das grifes de luxo?
Ferreirinha – Comprometimento total com a excelência; qualidade absolutamente resolvida e que surpreenda; cultura dos detalhes; produtos e serviços carregados de história, originalidade e precisão; emissão de sinais de perfeição; sensação de extraordinário, transformação do ordinário em extraordinário.
Que desafios uma confecção brasileira enfrenta para atuar nesse mercado? E como superá-los?
Ferreirinha – Visão de longo prazo e comprometimento com a qualidade, além de estrutura profissional.
Carlos Ferreirinha

















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